sábado, 2 de abril de 2016

APONTAMENTOS SOBRE A DESENCARNAÇÃO
Abel Silva

 "Ora, o último inimigo que há de ser aniquilado é a morte." I cor. 15:26

A desencarnação, a muito, vem sendo objeto de grande preocupação. Cada indivíduo procura, a seu modo, compreender esse processo, que é natural, mas ao mesmo tempo é causa de grande perturbação. Perguntas surgem a todo tempo e de várias formas. Como é? O que acontece? É processo doloroso?
Também preocupado com esse assunto, propus estudar o tema à luz de nossa Doutrina. Esse estudo, para efeito didático, é composto de três partes. Na primeira parte, procuro informações sobre o preparo para a desencarnação; na segunda, é o momento do desencarne, como ele acontece e na terceira parte busco relatos  das primeiras horas de desencarne, antes da grande travessia. Todas as informações aqui expostas são compilações de livros de credibilidade incontestável. O primeiro que citamos, como não podia deixar de ser, é “O livro dos Espíritos”, primeiro da codificação. Nesse livro, Kardec  dedicou todo o capítulo III a esse tema. Como o foco desse estudo é o momento do desencarne, por morte natural, abordaremos somente as perguntas concernentes ao objeto desse estudo. Vejamos como ele trata o assunto.
Na pergunta 154, Kardec pergunta aos espíritos se é dolorosa a separação da alma e do corpo e eles, os espíritos, respondem que não e afirmam que o corpo sofre mais durante a vida do que no momento da morte. Relatam, ainda, que em morte natural, que sobrevém pelo esgotamento dos órgãos, o homem deixa a vida sem perceber: é uma lâmpada que se apaga por falta de óleo. Já na pergunta 155, que diz respeito à separação e do corpo físico, a espiritualidade diz que a alma se desprende gradualmente, não se escapa como um pássaro cativo a que se restitui e a liberdade. Com relação à questão 156, Kardec aborda à espiritualidade se a separação definitiva da alma e do corpo pode ocorrer antes da cessação completa da vida orgânica, a que os espíritos respondem que na “agonia, a alma, algumas vezes, já tem deixado o corpo; nada mais havendo do que vida orgânica”. A pergunta 157 questiona se no momento da morte, a alma sente, alguma vez, qualquer aspiração ou êxtase que lhe faça entrever o mundo onde vai de novo entrar. Em resposta, os espíritos informam que quando desprendida da matéria, a alma vê o futuro desdobrar-se diante de si e goza, por antecipação, do estado de espírito. A questão 159 trata da sensação que experimenta a alma no momento em que reconhece estar no mundo dos espíritos. Para esse assunto, somos informados que depende muito de cada espírito. Se este praticou o mal, impelido do desejo de praticá-lo, no primeiro momento se sentirá envergonhado de o haver praticado. Com o justo, as coisas se passam de modo bem diferente. Ela se sente como que aliviada de grande peso, pois que não teme nenhum olhar perscrutador.
Após essa breve explicação, tomemos o subtema “Metamorfose do inseto”, pertencente ao capítulo XI – “Existência da alma”, do livro “Evolução em dois mundos”, do espírito  André Luiz, psicografia de  Chico Xavier e Waldo Vieira. Nesse subtema, André Luiz disserta sobre o processo de transformação do inseto. Atentemos para essas informações.
 “[...] a larva dos insetos de transformação completa experimenta vários períodos de renovação para atingir a condição de adulto, embora permaneça com o mesmo aspecto, porquanto apenas depois da derradeira mudança de pele é que se torna pupa. Em semelhante estágio, acusa progressiva diminuição de atividade, até que não mais suporte a alimentação. Esvaziam­se­lhe os intestinos e paralisam­se­Ihe os movimentos. A larva protege­se, então, no solo ou  na planta, preparando a própria liberação. Permanece, assim, imóvel, e não se alimenta do ponto de vista fisiológico, encrisalidando­se, segundo a espécie, em fios de seda por ela própria constituídos com a secreção das glândulas salivares, agregados a pequeninos tratos de terra ou a tecidos vegetais, formando, desse modo, o casulo em que repousa, durante certo tempo, fixado em alguns dias e até meses. Na posição de pupa, ao impacto das vibrações de sua própria organização psicossomática, sofre essencial modificação em seu organismo, modificação que, no fundo, equivale a verdadeiro  aniquilamento ou  histólise, ao mesmo tempo que elabora órgãos novos pelo fenômeno da histogênese, valendo­se dos tecidos que perduraram. A histólise1, que se efetua por ação dos fermentos, verifica­se notadamente nos músculos, no aparelho digestivo e nos tubos de Malpighi2, com reduzida atuação no sistema nervoso e circulatório. Pela histogênese3, os remanescentes dos músculos estriados desfazem­se das características que lhes são próprias, perdendo, gradativamente, a sua estriação, até que se convertam, qual se obedecessem a processo involutivo, em células embrionárias fusiformes, com um núcleo exclusivo, ou mioblastos4, que se dividem por segmentação, plasmando novos elementos estriados para a configuração dos órgãos típicos. Somente então, quando as ocorrências da metamorfose se realizam, é que o inseto, integralmente renovado, abandona o casulo, revelando­se por falena5 leve e ágil, com o sistema bucal transformado, como acontece na borboleta de tipo sugador, na qual as maxilas se alongam,  convertendo­se numa trompa, enquanto que o lábio superior e as mandíbulas se atrofiam. Entretanto, embora magnificentemente modificada, a borboleta alada e multicor é o mesmo indivíduo, somando em si as experiências dos três aspectos fundamentais de sua existência de larva6­ninfa7­inseto adulto.” 

1 – Histólise: Destruição ou dissolução dos tecidos orgânicos.
2 – Tubos de Malpighi: Órgão de excreção do inseto, o qual consiste em longos e tortuosos condutos que desembocam no tubo digestivo, no limite entre o intestino médio e o posterior.
3 – histogênese: Formação e desenvolvimento dos tecidos orgânicos.
4 – Mioblasto: Célula do folheto germinativo médio do embrião, que se converte em fibra muscular.
5 – falena: Nome comum a um grupo de borboletas noturnas.
6 – Larva: O primeiro estágio por que passam certas espécies animais antes de atingirem a fase adulta; lagarta, nos insetos.
7 Ninfa:Forma intermediária entre a larva e o inseto adulto.

Agora veja como André Luiz, no mesmo capítulo XI , subcapítulo “Histogênese Espiritual”, compara a metamorfose do inseto com a desencarnação da criatura humana.

“[...] Assim também, a criatura humana, depois do período infantil, atravessa expressivas etapas de renovação interior, até alcançar a madureza corpórea, não obstante apresentar­se com a mesma forma exterior, porquanto somente após o esgotamento da força vital no curso da vida, através da senectude ou da caquexia por intervenção da enfermidade, é que se habilita à transformação mais profunda. Nesse período característico da caducidade celular ou da moléstia irreversível, demonstra gradativa diminuição de atividade, não mais tolerando a alimentação. Pouco  a pouco, declinam as suas atividades fisiológicas e a inércia substitui­lhe os movimentos. Protege­se, desde então, no repouso horizontal em decúbito, quase sempre no leito, preparando o trabalho liberatório. Chega, assim, o momento em que se imobiliza na cadaverização, mumificando­se à feição da crisálida, mas envolvendo­se no imo do ser com os fios dos próprios pensamentos, conservando­se nesse casulo de forças mentais, tecido com as suas próprias ideias reflexas dominantes ou secreções de sua própria mente, durante um período que pode variar entre minutos, horas, dias, meses ou decênios. No ciclo de cadaverização da forma somática, sob o governo dinâmico de seu  corpo espiritual, padece extremas alterações que, na essência, correspondem à histólise das células físicas, ao mesmo tempo que elabora órgãos novos pelo fenômeno que podemos nomear, por  falta de termo equivalente, como sendo histogênese espiritual, aproveitando  os elementos vivos, desagregados do tecido citoplasmático, e que se mantinham, até então, ligados à colmeia fisiológica entregue ao desequilíbrio ou à decomposição. A histólise ou  processo destrutivo na desencarnação resulta da ação dos catalisadores químicos e de outros recursos do mundo orgânico que, alentados em níveis de degenerescência, operam a mortificação dos tecidos e, do ponto de vista do corpo espiritual, afetam principalmente a morfologia dos músculos e os aparelhos da nutrição, com escassa influência sobre os sistemas nervoso e circulatório. Pela histogênese espiritual, os tecidos citoplasmáticos se desvencilham em definitivo de alguns dos característicos que lhes são próprios, voltando temporariamente, qual se atendessem a processo involutivo, à condição de células embrionárias multiformes que se dividem, através da cariocinese, plasmando, em novas condições, a forma do corpo espiritual, segundo o tipo imposto pela mente.” 
Após esses relatos científicos de André Luiz, vejamos como isso funciona na prática, se assim podemos dizer. Para isso, buscamos informações preciosas em dois livros que relatam o momento da desencarnação. Um é “Voltei”, pelo espírito Irmão Jacob e o outro é “Obreiros da vida eterna”, pelo espírito André Luiz, todos psicografados por Chico Xavier.  No caso do livro Voltei, O Irmão Jacob conta sua própria desencarnação, enquanto que em “Obreiros da vida eterna”, André Luiz retrata o momento do desencarne de Dimas.
Comecemos pelo capítulo “No grande desprendimento”, do livro Voltei, em que Irmão Jacob faz o seguinte relato.
[...] Nas últimas trinta horas, reconheci-me em posição mais estranha. Tive a ideia de que dois corações me batiam no peito. Um deles, o de carne em ritmo descompassado, quase a parar, como relógio sob indefinível perturbação, e o outro pulsava, mais equilibrado, mas profundo...
A visão comum alterava-se. Em determinados instantes, a luz invadia-me em clarões subitâneos, mas, por minutos de prolongada duração, cercava-me densa neblina.
 O conforto da câmara de oxigênio não me subtraía as sensações de estranheza.
 Observei que frio intenso veio ferir-me as extremidades. Não seria a integral extinção da vida corpórea?
Procurei acalmar-me, orar intimamente e esperar. Após sincera rogativa a Jesus para que me não desamparasse, comecei a divisar à esquerda a formação de um depósito de substância prateada, semelhante a gaze tenuíssima...
Não poderia dizer se era dia ou se era noite em torno de mim, tal o nevoeiro em que me sentia mergulhado, quando notei que duas mãos caridosas me submetiam a passes de grande corrente. À medida que se desdobravam, de alto a baixo, detendo-se com particularidade no tórax, diminuíam-se-me as impressões de angústia. Lembrei, com força, o Irmão Andrade, atribuindo-lhe o benefício, e implorei-lhe mentalmente se fizesse ouvir, ajudando-me.
Qual se estivesse sofrendo melindrosa intervenção cirúrgica, sob máscara pesada; ouvi alguém me confortar: “Não se mexa! Silêncio! Silêncio!...”.
Conclui que o término da resistência orgânica era questão de minutos.  Não se estendeu o alívio, por muito tempo.
 Passei a registrar sensações de esmagamento no peito.
 As mãos do passista espiritual concentravam-se-me agora no cérebro.
Demoraram-se, quase duas horas, sob os contornos da cabeça. Suave sensação de bem-estar voltou a dominar-me, quando experimentei abalo indescritível na parte posterior do crânio. Não era uma pancada. Semelhava-se a um choque elétrico, de vastas proporções, no íntimo da substância cerebral. Aquelas mãos amorosas, por certo, haviam desfeito algum laço forte que me retinha ao corpo de carne...
 Senti-me, no mesmo instante, subjugado por energias devastadoras.
 A que comparar o fenômeno?
 A imagem mais aproximada é a de uma represa, cujas comportas fossem arrancadas repentinamente.
Vi-me diante de tudo o que eu havia sonhado, arquitetado e realizado na vida.
Insignificantes ideias que emitira, tanto quanto meus atos mínimos, desfilavam, absolutamente precisos, ante meus olhos fixos, como se me fossem revelados de roldão, por estranho poder, numa câmara ultra rápida instalada centro de mim.
Transformara-se-me o pensamento num filme cinematográfico misterioso e inopinadamente desenrolado, a desdobrar-se, com espantosa elasticidade, para seu criador assombrado, que era eu mesmo [...]

Paremos um pouco aqui, e juntos, vejamos o que André Luiz fala sobre esse momento em que os atos de nossas vidas passam ante nossos olhos como esse filme que Ir. Jacob descreve. O item é “Revisão das experiências”, constante do capítulo XII – intitulado “Alma e desencarnação” do mesmo livro “Evolução em dois mundos.”

De liberação  a liberação, na ocorrência da morte, a criatura começa a familiarizar­se com a esfera extrafísica. Assim como recapitula, nos primeiros dias da existência intra­uterina, no processo reencarnatório, todos os lances de sua evolução filogenética1, a consciência examina em retrospecto de minutos ou  de longas horas, ao integrar­se definitivamente em seu corpo sutil, pela histogênese espiritual, durante o coma ou a cadaverização do veículo físico, todos os acontecimentos da própria vida, nos prodígios de memória, a que se referem os desencarnados quando descrevem para os homens a grande passagem para o sepulcro. É que a mente, no limiar da recomposição de seu próprio veículo, seja no renascimento biológico ou  na desencarnação, revisa automaticamente e de modo rápido todas as experiências por ela própria vividas, imprimindo magneticamente às células, que se desdobrarão em unidades físicas e psicossomáticas2, no corpo físico e no corpo espiritual, as diretrizes a que estarão sujeitas, dentro do novo ciclo de evolução em que ingressam. Acresce lembrar, ainda, como nota confirmativa de nossas asserções, que, esporadicamente, encarnados saídos ilesos de grandes perigos como  acidentes e suicídios frustrados, relatam semelhante fenômeno de revisão das próprias experiências, também chamado visão panorâmica e síntese mental. 
1 – Filogenético: referente à filogênese, que é o estudo das relações de descendência bilógica dos organismos, e da evolução de uma espécie ou grupo biológico, a partir de formas primitivas de origem.
2 – Psicossomático: relativo ao psicossoma, isto é, ao corpo espiritual ou perispírito.

Voltemos à narrativa de Irmão Jacob.
 [...] Assombrado, vi-me em duplicata.
Eu, que tanta vez exortara os desencarnados a contemplarem os despojos de que já se haviam desvencilhado, fixei meu corpo a enrijecer-se, num misto de espanto e amargura [...] Encontrava-me prostrado, vencido. Não me assistia qualquer razão de revolta; contudo, se possível, desejaria afastar-me. A contemplação do corpo imóvel, não obstante aguçar-me o propósito de observar e aprender, era-me aflitiva. O cadáver perturbava-me com as sugestões da morte, impunha reflexão desagradável e amarga. À distância dele, provavelmente a ideia de vida e eternidade prevaleceria, dentro de mim. [...] Alongando o raio de meu olhar, verifiquei a existência de prateado fio, ligando-me o novo organismo à cabeça imobilizada. Torturante emoção apossou-se de mim. Eu seria o cadáver ou o cadáver seria eu? Por intermédio de que boca pretendia falar? Da que se fechara no corpo ou da que me serviria agora? Através de que ouvidos assinalava as palavras de Marta? Intentando ver pelos olhos mortos, senti-me atirado novamente a espesso nevoeiro. Assustado, soergui-me mentalmente. Aquele grilhão tênue a unir-me com os despojos era bem um fio de forças vivas, jungindo-me à matéria densa, semelhando-se ao cordão umbilical que liga o nascituro ao seio feminino. [...] Mais alguns instantes escoaram difíceis, quando inopinado abalo me revolveu o ser. Supus haver sido projetado a enorme distância... Confesso que o choque me assaltou com tão grande violência que julguei chegado o momento de “outra morte”. Dentro em pouco, no entanto, o coração se refez, equilibrou-se a respiração e Bezerra surgiu, sorridente, a indagar se o desligamento ocorrera normal. Explicou-me o respeitável benfeitor que, até ali, meu corpo espiritual fora como que um “balão cativo”, mas doravante disporia de real liberdade interior. Pensaria com clareza, movimentar-me-ia sem obstáculos e deteria faculdades mais precisas.





Finalizando as experiências relatadas pelo Irmão Jacob, passemos, agora, aos relatos que André Luiz faz durante o desencarde de Dimas.

– Noutro tempo, André, os antigos acreditavam que entidades mitológicas cortavam os fios da vida humana. Nós somos Parcas autênticas, efetuando semelhante operação...
– Segundo você sabe, há três regiões orgânicas fundamentais que demandam extremo cuidado nos serviços de liberação da alma: o centro vegetativo, ligado ao ventre, como sede das manifestações fisiológicas; o centro emocional, zona dos sentimentos e desejos, sediado no tórax, e o centro mental, mais importante por excelência, situado no cérebro.
[...] Aconselhando-me cautela na ministração de energias magnéticas à mente do moribundo, começou a operar sobre o plexo solar, desatando laços que localizavam forças físicas. Com espanto, notei que certa porção de substância leitosa extravasava do umbigo, pairando em torno. Esticaram-se os membros inferiores, com sintomas de esfriamento.
Dimas gemeu, em voz alta, semi-inconsciente.
[...]  Mas, antes que os familiares entrassem em cena, Jerônimo, com passes concentrados sobre o tórax, relaxou os elos que mantinham a coesão celular no centro emotivo, operando sobre determinado ponto do coração, que passou a funcionar como bomba mecânica, desreguladamente. Nova cota de substância desprendia-se do corpo, do epigástrio à garganta, mas reparei que todos os músculos trabalhavam fortemente contra a partida da alma, opondo-se à libertação das forças motrizes, em esforço desesperado, ocasionando angustiosa aflição ao paciente. O campo físico oferecia-nos resistência, insistindo pela retenção do senhor espiritual.
[...] O Assistente estabeleceu reduzido tempo de descanso, mas volveu a intervir no cérebro. Era a última etapa. Concentrando todo o seu potencial de energia na fossa romboidal, Jerônimo quebrou alguma coisa que não pude perceber com minúcias e brilhante chama violeta-dourada desligou-se da região craniana, absorvendo, instantaneamente, a vasta porção de substância leitosa já exteriorizada. Quis fitar a brilhante luz, mas confesso que era difícil fixá-la, com rigor. Em breves instantes, porém, notei que as forças em exame eram dotadas de movimento plasticizante. A chama mencionada transformou-se em maravilhosa cabeça, em tudo idêntica à do nosso amigo em desencarnação, constituindo-se, após ela, todo o corpo perispiritual de Dimas, membro a membro,  traço a traço. E, à medida que o novo organismo ressurgia ao nosso olhar, a luz violeta-dourada, fulgurante no cérebro, empalidecia gradualmente, até desaparecer de todo, como se representasse o conjunto dos princípios superiores da personalidade, momentaneamente recolhidos a um único ponto, espraiando-se, em seguida, através de todos os escaninhos do organismo perispirítico, assegurando, desse modo, a coesão dos diferentes átomos, das novas dimensões vibratórias.
[...] Dimas-desencarnado elevou-se alguns palmos acima de Dimas-cadáver, apenas ligado ao corpo através de leve cordão prateado, semelhante a sutil elástico, entre o cérebro de matéria densa, abandonado, e o cérebro de matéria rarefeita do organismo liberto.
Para os nossos amigos encarnados, Dimas morrera, inteiramente. Para nós outros, porém, a operação era ainda incompleta. O Assistente deliberou que o cordão fluídico deveria permanecer até ao dia imediato, considerando as necessidades do “morto”, ainda imperfeitamente preparado para desenlace mais rápido.
Por enquanto, repousará ele na contemplação do passado, que se lhe descortina em visão panorâmica no campo interior. Além disso, acusa debilidade extrema após o laborioso esforço do momento. Por essa razão, somente poderá partir, em nossa companhia, findo o enterramento dos envoltórios pesados, aos quais se une ainda pelos últimos resíduos.

Essas são as informações que pude compilar sobre o assunto. Claro que outras há, e se aqui não estão, foi exclusivamente por ignorância de minha parte. Espero, que a partir desse estudo, essas lacunas sejam preenchidas por todos.

Referência Bibliográfica

KARDEC, Allan. O livro dos Espíritos – Tradução Guillon Ribeiro. 93ª ed. Rio de Janeiro, FEB, 2013. (1ª ed.1857, Paris-França; 1944, Brasil).

XAVIER, Francisco Cândido./LUIZ, André. Obreiros da vida eterna. 22ª ed. Rio de Janeiro, FEB, 1996. (1ª ed. 1946).

XAVIER, Francisco Cândido, VIEIRA Waldo./LUIZ, André. Evolução em dois mundos. 13ª ed. Rio de Janeiro, FEB, 1993. (1ª ed. 1958).

XAVIER, Francisco Cândido./JACOB, Irmão. Voltei. 28ª ed. Rio de Janeiro, FEB, 2013. (1ª ed.1949).

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